Cultura de UX: 10 dicas que não deves ignorar no desenvolvimento web e mobile

Começo por dizer que o meu objetivo neste artigo é mais o de vos trazer um overview ao tema da Cultura de UX, não indo explorar em profundidade questões puramente técnicas. Isto porque acredito que estas 10 dicas sobre Cultura de UX podem ser aplicadas a diferentes temas da nossa vida e não apenas ao desenho e implementação de excelentes UI. Vão perceber o que quero dizer ao longo do blog post.

Alguma vez pensaram no impacto que os User Interfaces têm nos utilizadores? Acham que influencia positiva ou negativamente? Já questionaram como é a experiência do utilizador quando alguém utiliza os vossos softwares? Esperamos todos que seja excelente, mas… será que é realmente?

Desenhar e implementar User Interfaces abrange uma infinidade de etapas e fatores para garantir excelentes (e às vezes até memoráveis) experiências do utilizador.

Deixem-me partilhar convosco aquelas que acredito serem as melhores dicas de sempre e que se têm revelado muito úteis ao longo da minha carreira.

1 – A primeira experiência

Uma das lições mais importantes que aprendi sobre a cultura de UX é a importância da primeira experiência do utilizador quando utiliza um produto/software. Esse momento em particular vai influenciar de forma decisiva não só a forma como o user vê o produto, mas também todas as interações futuras que ele fizer. Além disso, mesmo que uma possível má experiência não esteja relacionada com o UI (por exemplo, uma má conexão à internet), o utilizador pode não ter essa sensação. Este facto leva-nos à segunda dica.

2 – Conhece os teus utilizadores

Quer estejas a criar uma app simples ou um software sofisticado, deves perceber quem o vai utilizar efetivamente.

Pesquisa sobre os ambientes e condições que queres que os teus users encontrem na solução, mas acima de tudo aprende e descobre aquilo que eles realmente valorizam e precisam. Pode parecer uma tarefa impraticável, mas concentra-te nos utilizadores comuns e guia-te por eles. Passa tempo com esses utilizadores, conhece os seus objetivos e receios. Só se os conheceres bem é que vais conseguir criar UI incríveis e, mais importante do que isso, experiências memoráveis.

3 – A chave é o altruísmo

Preocupar-me genuinamente com os outros tem sido, para mim, uma forma de estar na vida. No entanto, isto só se tornou numa realidade quando comecei a levar a sério a cultura de UX e a compreender qual é o propósito final de tudo isto: criar um impacto positivo na vida das pessoas.

Este principio não se aplica apenas ao desenvolvimento de programas, mas a todos os aspetos da nossa vida. Desde a senhora idosa que leva consigo os sacos das compras, atravessando ruas cheias de socalcos e pequenos buracos até ao bombeiro que precisa que a mangueira se desenrole rapidamente para poder apagar o fogo. Essas pessoas precisam de alguém que cuide das suas questões ou dificuldades. A senhora idosa necessita que alguém arranje os passeios ou que criem um carrinho de transporte à altura. E o bombeiro que o sistema da mangueira funcione corretamente e rapidamente para que possa ir ajudar outras pessoas.

Para mim, desenhar e criar excelentes experiências do utilizador caminha lado a lado com uma atitude altruísta. Então, começa a fazê-lo e vais sentir o reconhecimento por parte daqueles que vais ajudar, o que é, sem dúvida, um dos sentimentos mais gratificantes.

4 – Mantém a tua mente aberta

Aceita que não sabes tudo e abre a tua mente às ideias e feedback que recebes. Deixa-me contar-te uma história.

Trabalhei num software que entre outras coisas era responsável por publicar as trocas de turno das equipas de uma companhia de comboios numa aplicação web.

Desenvolvemos uma funcionalidade muito simples na qual ao introduzir um número de um comboio, era possível visualizar que trabalhadores estavam a trabalhar nesse mesmo comboio. Esta ideia deve ter surgido dos team leaders que deveriam querer acompanhar o trabalho dos membros das suas equipas. Após algum tempo, recebemos vários feedbacks positivos sem efetivamente percebermos a razão. Disseram-nos que possivelmente os trabalhadores estariam a utilizar esta funcionalidade para combinarem entre eles a pausa de almoço. Isso era algo que eles valorizam muito.

As boas ideias vêm dos sítios mais inesperados, deves estar atento!

5 – Conhece os padrões

Os grandes software players têm investido imenso em UX e UI. Assim, os seus padrões dão lições valiosas para quem está no negócio.

Existem diversas companhias fora do ramo de desenvolvimento de software que são excelentes fontes de informação. Então, afina as tuas skills de pesquisa na Google e mergulha nesses oceanos de informação.

6 – Aprende com os erros

Avisei-vos de que estas dicas sobre Cultura de UX podiam ser aplicadas a diversos temas, não foi?

Admite que erraste quando os resultados não forem os esperados. Não fiques preso a isso em demasia, ao invés utiliza essa informação numa próxima vez.

Aqui vai outra história que serve de exemplo.

Enquanto trabalhava naquele mesmo projeto do software de planeamento, tivemos a dada altura um erro crítico em produção – se a memória não me falha, o erro ocorria ao carregar o ficheiro de dicionário, que era responsável por traduzir o programa para um determinado idioma – e esse erro não estava a permitir que o ficheiro carregasse por completo.

A mensagem de erro era: “Attempt to take the car of John Shaw, which is not a cons”. É uma mensagem bastante comum para quem está a trabalhar em Common Lisp. Quando o System Manager, John Shaw (não é o nome original), nos telefonou, ele estava num misto de surpresa e pânico ao mesmo tempo porque o ambiente de produção estava com problemas, mas mais importante do que isso, tinha medo que o seu carro tivesse sido roubado. Questionou-se, inclusivamente, como é que o sistema sabia disso.

A mensagem não era claramente a mais apropriada para o tipo de erro em si. Em primeiro lugar, tivemos de acalmar o John e explicar-lhe que o carro não tinha sido roubado (pelo menos era isso que esperávamos) para então depois tentarmos resolver o erro.  Aprendemos com esta situação, tendo melhorado a mensagem de erro bem como o mecanismo de loading do dicionário.

Como podem ver, é possível aprender com os erros dos outros e de outras empresas. A internet está cheia de histórias que te vão ajudar. Pesquisa nessas pilhas de informação.

7 – Pede feedback

Aprender com os erros leva-nos a este ponto: pede feedback.

Seja através do contacto direto com utilizadores seja através da análise dos dados com ferramentas de analytics, o feedback é essencial.

Cria protótipos e partilha-os com os teus users. Deixa-os explorar esses protótipos e pede-lhes feedback. Tens aí informação muito valiosa. Também podes lançar questionários para recolheres informação mais abrangente.

8 – Cria uma Cultura de UX

Partilha com a tua equipa e empresa o conhecimento que tens adquirido ao desenhares e implementares UI. Aproveita cada oportunidade para criares uma cultura de UX entre os teus pares, o que vai contribuir não só para melhorar a experiência dos utilizadores, mas também os resultados da empresa.

9 – Sê pragmático

No final do dia, também é importante sabermos que criamos UI com base num conjunto de requisitos de um determinado cliente e temos de ser objetivos em relação a isso (sem falar do aspeto financeiro associado).

Vão existir sempre alguns requisitos do cliente que podem colocar em causa os princípios de UX/UI. Nessas situações, é tudo uma questão de equilíbrio: encontra um compromisso entre aquilo que acreditas ser o melhor para os utilizadores e aquilo que o cliente está a pedir.

10 – Melhora constantemente

Esta vem sem qualquer surpresa, concordam? No fundo tenho falado sobre este tema ao longo do artigo.

Esta dica é uma espécie de resumo de todas as outras dicas – presta atenção ao que estás a fazer bem, ao que estás a fazer mal, e utiliza esse conhecimento na próxima iteração de desenvolvimento ou no teu próximo projeto.

Pessoalmente, acredito que só podes melhorar se fores altruísta e fizeres um esforço para compreender os utilizadores.

Fazendo um wrap up

UX é algo que pode ser aplicado não apenas ao software mas a todas as nossas atividades diárias. Se tentares seguir estas dicas vais certamente fazer a diferença.

Partilho abaixo algumas fontes de informação e recursos que me têm ajudado bastante ao longo do meu percurso.

*Este artigo é uma versão PT do conteúdo original que pode ser lido aqui.

Rúben VazCultura de UX: 10 dicas que não deves ignorar no desenvolvimento web e mobile

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