WSO2: uma nova abordagem em Middleware

A integração de sistemas e de informação nas organizações tem sido uma necessidade chave para a melhoria da eficiência e qualidade dos processos, fomentando e alavancando o desenvolvimento e a inovação. Num contexto cada vez mais predominante de transformação digital, a evolução tecnológica empresarial é essencial para dar uma resposta rápida às exigências dos mercados e, assim, continuar a ser um player no jogo infinito do negócio. Esta agilidade requer um crescente esforço de descentralização e autonomia, tanto de equipas que devem tornar-se multi-disciplinares como de processos cada vez mais objectivos e eficientes, criando um organismo de células independentes e comunicantes cuja vitalidade depende fortemente dos mecanismos de integração entre si.

O papel que o Middleware desempenha na estratégia digital das organizações tem sido, desde há várias décadas, fundamental para o seu sucesso. A primeira necessidade nasceu com o crescente número de sistemas e a necessidade de partilha de informação entre os mesmos. Depois, o acesso massificado à world wide web ofereceu uma novo desafio de integração, juntamente com o crescimento da mobilidade e da proliferação de dispositivos com acesso à informação. Seguiu-se uma abstracção da infraestrutura, com as oferta SaaS (Software-as-a-Service) e com a mais recente tendência cloud. Actualmente vivemos um período de reformulação arquitectural, de propriedades mais escaláveis e flexíveis, com a aposta em ambientes serverless e em arquitecturas orientadas a microserviços. O Middleware foi, é e continuará a ser cada vez mais, presença constante e a peça basilar em toda esta evolução, onde cada vez mais a desintegração orgânica das arquitecturas exigem plataformas dedicadas para a sua gestão.

A virtude está no meio

A integração tem sido, ao longo de muitas décadas, um problema crescente e cada vez mais complexo. Nos primórdios da utilização de sistemas de informação nas organizações (décadas de 70 e 80) o problema da integração não tinha expressão:

  • As organizações possuíam apenas um sistema central (mainframe), para execução automatizada de actividades operacionais típicas;
  • Na eventualidade de existir um sistema auxiliar as necessidades de comunicação entre os mesmos eram raras e de um domínio muito limitado, justificando uma integração ponto-a-ponto.

No entanto, a partir da década de 90 assistimos a uma explosão de sistemas nas organizações, com uma descentralização cada vez maior da informação em silos e departamentos diferentes, com vista a melhor dar resposta às suas necessidades. Para tal facto contribuiu a globalização do acesso à Internet e a respectiva evolução das redes de comunicação. Nesta altura a integração passou a ser, de facto, um paradigma a abordar e daí nasceu o conceito de EAI (Enterprise Application Integration), com o objectivo de remover este fardo do desenvolvimento aplicacional do negócio e de definir e sistematizar boas práticas nestas implementações.

A década seguinte – 2000 – ficou caracterizada pela exploração da conectividade pela web, pelo que assistimos a ofertas SaaS (Software-as-a-Service) e a adopção de standards de comunicação (e.g. SOAP). Esta multiplicidade de oferta de serviços exigiu um repensar das boas práticas de desenho deste tipo de arquitecturas visto que a sua implementação começou a ser caracterizada por um volume elevado de interfaces heterogéneas orientadas à troca de mensagens entre si. Nasceu assim o ESB (Enterprise Service Bus) que nada mais é do que a instanciação de um modelo arquitectural de uma implementação EAI com o objectivo de fornecer às organizações propriedades relevantes, tais como abstracção, loose-coupling e reutilização.

Com a disseminação dos telemóveis durante a década de 2000, a década de 2010 ficou caracterizada pela diversidade e capacidade de processamento dos dispositivos móveis, passando os mesmos a ter um papel activo nas organizações como ferramenta de comunicação, trabalho e até lazer. Neste período de multi-conectividade, a importância de estar ligado em qualquer lugar tornou-se fulcral no mercado competitivo de negócios, e isso originou cada vez mais a promoção de serviços pelas organizações através da Internet e a criação destes novos canais de valor. Todo e qualquer serviço ou sistema passou a disponibilizar APIs (Application Programming Interfaces) para acesso e consumo dos consumidores, seja a própria organização ou clientes e parceiros, e permitiu criar novos canais de valor para o negócio. Esta proliferação de APIs originou uma necessidade crescente de gestão e de oferta, culminando numa abordagem complementar de integração que se designa de API Management. A gestão de APIs complementa a integração de sistemas na medida que alimenta o ciclo de gestão de vida de uma API (desde o seu desenho e testes, passando pela publicação e operação, até à sua depreciação), providenciando um ponto central de segurança e controlo, disponibilizando métricas e tendências de utilização, e acelerando a adopção dos consumidores com funcionalidades colaborativas e de self-service.

Actualmente estamos a caminhar para um paradigma de flexibilidade, onde as aplicações devem dar resposta a pedidos de informação de uma forma distribuída e independente, com tempos de resposta aproximadas do real-time. Trata-se de uma mudança disruptiva, onde se convertem arquitecturas monolíticas em modelos baseados em microserviços e containerização, de forma agnóstica em termos de localização. Da mesma forma que as aplicações evoluem neste sentido, também as arquitecturas de integração se estão a mutar, com o objectivo de agilizar e melhor responder a esta necessidade crescente de integração, decorrente da dispersão das aplicações. Estamos assim a assistir à adopção de iPaaS (Integration Platform-as-a-Service) – plataformas que facilitam e agilizam a criação de integrações entre aplicações – assim como Hybrid Integration Platforms – plataformas de integração híbridas, i.e. que funcionam de forma agnóstica on-premise e em cloud como um conjunto de células comunicantes entre si, para melhor responder às necessidades de troca de informação.

api management

A solução WSO2: nova abordagem em middleware

A WSO2 foi fundada em 2005 e desenvolve uma oferta open-source com o mesmo nome na área do Middleware. A suite é composta por diferentes produtos e serviços que permitem ter uma aproximação API-First descentralizada, capacitando as organizações na implementação rápida e ágil das suas soluções digitais. A plataforma consiste em três vectores de ataque ao problema do Middleware:

  • API Manager– potencia a promoção e utilização de APIs para a dinamização e exploração das capacidades do negócio;
  • Enterprise Integrator– facilita o desenvolvimento da integração empresarial e promove a revitalização de sistemas legacy;
  • Identity Server– promove a confiança e a segurança na gestão do acesso à informação.

Cada um dos produtos endereça uma necessidade específica de integração. O API Manager capacita as organizações do Full Life Cycle API Management, i.e. a capacidade de fazer uma gestão 360º das APIs, desde o seu planeamento e concepção, passando pela sua operacionalização e monetização, até à sua depreciação. As organizações conseguem, desta forma, responder eficazmente às tendências do seu negócio e ao estabelecimento de parcerias de valor. Através do Enterprise Integrator é possível interligar através de padrões empresariais de integração toda a informação dispersa da organização de uma forma fácil e rápida, permitindo às organizações explorarem eficiências operacionais e novas ofertas para o seu negócio. Para assegurar o acesso seguro à informação e a gestão integrada de identidades nas organizações, o Identity Server apresenta-se como a ferramenta de eleição.

Os factores diferenciadores

A WSO2 apresenta um conjunto de factores diferenciadores que as distinguem de ofertas similares:

  • 100% Open Source-​ é totalmente open source, sem diferenças ao nível da sua distribuição, ao contrário de outras ofertas baseadas em versões Community e Enterprise. Esta característica garante aos clientes uma oportunidade única para testar e validar as suas soluções finais sem qualquer custo. O próprio desenvolvimento da WSO2 é transpartente e aberto, permitindo que os seus clientes tenham toda a visibilidade e possam participar activamente;
  • Cloud-native– está preparado, e é desenvolvido de raiz, para se adaptar às actuais arquitecturas descentralizadas de IT, baseadas em containers e microserviços;
  • Modular– executa-se sobre uma base comum de funcionalidade, com um nível de coesão interna elevado e facilmente integrável nas suas diversas componentes;
  • Leve– promove uma utilização racionalizada das features necessárias, assegurando assim a melhor eficiência da solução;
  • Flexível– facilita a integração na arquitectura da organização, explorando o decoupling dos seus componentes para que possam ser dimensionados de acordo com os requisitos da solução;
  • Extensível– permite incluir código customizado, quer na extensão das funcionalidade dos seus componentes como no desenvolvimento de conectores de integração específicos para protocolos proprietários (existem mais de 200 disponíveis na Connector Store).

A nossa visão para o futuro

Ao longo da evolução dos diferentes modelos de integração, o que notamos é que não se tratou de uma substituição de conceitos. Assistimos antes a uma crescente complexidade de problemas e desafios que requerem diferentes tipos de solução para uma melhor resposta. Na nossa visão:

  • Qualquer arquitectura de integração é potencialmente válida, dependendo do desafio a que está a responder. Faz sentido adoptar os modelos que maior valor trazem à organização;
  • Ao contrário de muitas afirmações, o ESB não está em desuso. Continua a ser um paradigma altamente válido e actual, naquilo que consideramos ser uma boa arquitectura de integração. Estas afirmações existem porque muitas vezes o conceito de ESB é misturado com a noção de um backbone centralizado de integração, algo que efectivamente está em desuso no novo modelo de arquitecturas distribuídas;
  • A integração é híbrida e consiste numa combinação de cenários mistos de integração on-premise e em diferentes clouds (multi-cloud), oferecendo flexibilidade e sustentabilidade ao crescimento das organizações;
  • As API’s continuam a ser os agentes potenciadores de integração, pois facilitam e fomentam o acesso à informação de uma forma simples e rápida.

A WSO2 oferece uma solução moderna e versátil para endereçar as necessidades prementes de integração nas organizações e suportar toda o seu processo de transformação e inovação. Com os produtos da oferta WSO2 as organizações possuem à sua disposição as ferramentas para a implementação de uma plataforma de integração com a complexidade inerente aos objectivos actuais, podendo moldá-la de acordo com a evolução da organização e o contexto e exigências do mercado onde se insere.

Nuno SantosWSO2: uma nova abordagem em Middleware

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