Filipa Moreno

Microsoft PowerApps: como transformar ideias em aplicações de negócio

Vivemos num mundo onde a mobilidade é ubíqua: existem, neste momento, apps para qualquer ação que precisemos de realizar num dado momento das nossas vidas. A maioria dessas apps são desenvolvidas tendo o consumidor final como linha orientadora e, idealmente, é esta figura que as empresas têm em mente quando desenham a sua solução digital. No entanto, as aplicações não trazem apenas benefícios de utilização para o consumidor final. As apps móveis, num ambiente interno, são também fundamentais para a gestão de atividades diárias de uma empresa.

As chamadas business apps são especificamente desenvolvidas para resolver um problema interno de uma organização. Nesse sentido, estas aplicações oferecem a possibilidade das empresas gerirem parte do negócio de uma forma mais rápida, mais eficiente e mais produtiva. Contudo, nem todas as business apps justificam o tempo e o investimento que são necessários para um desenvolvimento personalizado e adaptado às necessidades de cada empresa. Com as limitações reais que existem em qualquer empresa, tanto em termos de orçamento como em termos de tempo e recursos humanos, poderá rapidamente tornar-se um sonho distante construir uma aplicação que suprima necessidades internas de eficiência e eficácia para processos que têm potencial para ser automatizados.

Tirando partido de todo o ecossistema Microsoft, que está muito presente em várias organizações, é possível construir uma aplicação através das Microsoft PowerApps. Numa óptica de serviço interno, as PowerApps geram um impacto considerável nos processos das empresas, permitindo a desmaterialização de processos e, consequentemente, aumentando os níveis de produtividade e reduzindo ineficiências.

Por outro lado, com as PowerApps, é possível habilitar outros perfis de pessoas dentro da organização para criar e manter a aplicação, ainda que estas mesmas pessoas não tenham um perfil técnico. Adicionalmente, o Microsoft Power Automate – uma ferramenta complementar às PowerApps – ajuda a automatizar processos nas diferentes aplicações e serviços, seja aprovação de pedidos, cumprimento de certas condições (acções a respeitar caso a resposta seja sim/ não), automatização de processos repetidos, etc.

Desta forma, estas soluções digitais não dependerão exclusivamente do departamento de TI e estes power users, que já têm o conhecimento de negócio – e desde que munidos do conhecimento necessário para utilizar estas ferramentas – conseguirão sustentar uma solução eficaz, alicerçada na infraestrutura Microsoft, sem que necessitem de conhecimentos de programação. Além disso, com o Office 365, os dados circulam naturalmente, sem que exista a possibilidade de criação de silos – que geram entropias e ineficiências – sendo possível alimentar a aplicação com informação de uma forma imediata.

Exemplo prático: automatização de aprovação de dias de férias

Tomemos como exemplo o processo de aprovação de férias: automatizando todo o processo desde a inserção, por parte do colaborador, de um formulário com o pedido de férias e, permitindo à pessoa que o aprova a receção de uma push notification no seu telemóvel, consegue-se aprovar de imediato as férias do colaborador. Por fim, é enviado um email automático ao colaborador para o avisar de que o seu pedido foi aprovado. Desta forma, automatizamos um processo que estava anteriormente dependente do departamento dos RH. Com estas ferramentas disponíveis, rapidamente conseguimos passar da conceptualização à execução e, em poucos minutos, o colaborador vê o seu pedido de férias aprovado – pode já começar a planear o seu próximo destino de sonho ao invés de desesperar a pensar que serão precisas várias semanas até que os seus dias sejam aprovados. Como este exemplo, existem outros casos de uso das ferramentas PowerApps e Automate que são uma solução à medida, totalmente adaptável à realidade interna da sua empresa.

A experiência da Xpand IT com PowerApps

A Xpand IT tem trabalhado com Microsoft PowerApps e Microsoft Power Automate desde o início do desenvolvimento dos produtos. Como tal, reconhecemos desde logo que estas tecnologias poderiam complementar a nossa oferta de desenvolvimento mobile, quer numa vertente multiplataforma (Xamarin) quer numa vertente puramente nativa. No nosso entender, para apps a serem utilizadas no contexto das empresas, as PowerApps têm uma proposta de valor interessante, não só pelo Time-to-Market mais curto, mas também pelo facto de permitirem que utilizadores de negócio materializem a sua visão numa ferramenta que lhes seja útil – e que permita, futuramente, justificar o desenvolvimento de novas versões ou a utilização de outras tecnologias. Para cada problema existem várias soluções e nós encaramos as PowerApps como uma ferramenta muito interessante para potenciar a Transformação Digital nas empresas.

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Apple Pay em Portugal: O que muda nas nossas vidas

O que têm em comum Crédito Agrícola, Revolut e N26? O Apple Pay!

São 7h20 de um dia de semana aparentemente igual aos outros.

Conseguem imaginar o caos da rotina matinal de preparar e tomar o pequeno-almoço, tomar banho, vestir, preparar a marmita ao mesmo tempo que tentam não se esquecer de calçar as meias ou, pelo menos, de calçar duas meias iguais? No meio do caos, há sempre qualquer coisa que fica a faltar. Um dia que começa assim tem tudo para correr bem, certo? Errado.

É óbvio que num dia assim, quando se preparam para ir pagar o almoço, não conseguem encontrar a carteira. É óbvio que num dia assim, a carteira ficou em casa.

Bastam apenas dois segundos para, depois de nos apercebermos de que não temos a carteira connosco, chegarmos à conclusão que perdemos a nossa independência financeira e temos que ligar a um colega para nos vir pagar o almoço e salvar-nos de uma tarde inteira de tarefas que nos permitam compensar o restaurante pela refeição que consumimos.

Há uns anos seriacompletamente plausível vermos uma situação destas acontecer, mas, atualmente, em vez de ligarmos ao colega para nos vir salvar, conseguimos realizar pagamentos através do nosso telefone. Em menos de 1 minuto, o pagamento é realizado, sem qualquer fricção. Como é que é possível, perguntam vocês? Com o Apple Pay, claro. Obrigada, deuses da tecnologia!

Mas afinal, o que é exatamente o Apple Pay, que implicações tem este novo serviço para os consumidores e o que significa para a indústria financeira a introdução deste serviço no mercado?

Esta é uma tecnologia já algo madura. O serviço foi inicialmente lançado pela Apple em outubro de 2014 no seu país de origem – Estados Unidos da América – e, ao longo destes 5 anos, tem vindo a expandir a sua presença para muitos outros países. De facto, neste momento, já mais de 50 países contam com este serviço, sendo que a Apple tem planos para continuar a evangelização e implementação deste serviço por outros países do mundo.

A partir de junho de 2019, Portugal passou a fazer parte da lista de países que suportam o serviço Apple Pay. O Crédito Agrícola, o Revolut, o N26, o Monese e, mais recentemente, o Moey! foram as primeiras empresas a oferecer este serviço em Portugal. E nós fomos das primeiras empresas a implementar a tecnologia!

A Xpand IT foi um parceiro que acompanhou o processo de implementação do serviço Apple Pay na aplicação móvel do Crédito Agrícola desde o início e teve de garantir a criação de um fluxo de navegação simples e intuitivo, de forma a assegurar que o processo de adição de cartões à Apple Wallet através da app seria fácil, rápida e sem quaisquer obstáculos para o utilizador. A Xpand IT, juntamente com o Crédito Agrícola, garantiu que a implementação desta solução passou em todos os testes de segurança e requisitos exigentes da Apple. Não de somenos importância, a intervenção da Apple em todo o processo de implementação releva a necessidade de contar com um parceiro que esteja focado na experiência de utilização – com a preocupação de manter a experiência coerente e com capacidade de resposta para conseguir dar vida a esta nova forma de pagamento.

Mas como funciona o Apple Pay? Pegando no exemplo inicial do pagamento da refeição no restaurante, após o setup inicial onde se pode adicionar os cartões à “carteira” do iPhone, passa a ser possível utilizar apenas o telemóvel para realizar pagamentos contactless. Os terminais de multibanco são os mesmos de sempre – caso estes já aceitem pagamentos contactless, basta aceder à app Wallet, fazer a autenticação através de TouchID ou FaceID, encostar o Iphone ao terminal de pagamento e, voilá, o pagamento está feito. Sem que sejam necessárias carteiras ou cartões físicos, que apenas acrescentam obstáculos a todo este processo que se quer rápido. Como medida adicional de segurança, ao realizar pagamentos que ultrapassem um determinado valor (para Portugal foi definido um valor de 20 euros), será solicitado ao utilizador que confirme o pagamento através de um PIN por ele definido.

A verdade é que este serviço é diferenciador, uma vez que oferece total conveniência ao ato de pagamento – posso pagar as minhas compras em qualquer canal, seja este online, físico ou até mesmo em apps móveis, recorrendo aos dispositivos que já fazem parte da minha vida diária (iPhone, iPad, Mac ou Apple Watch) e sem complicações ou perdas de tempo desnecessárias. Por outro lado, este método de pagamento oferece também mais segurança: não apenas porque os dados do cartão são armazenados de forma segura através da criação de uma representação virtual do cartão (através de um token – que pode ser desativado ou ativado a qualquer momento na aplicação e de uma forma independente dos cartões físicos),mas também porque, para autorizar o pagamento é necessária uma autenticação biométrica. Esta é uma das razões pelas quais este serviço está a ter tanta aceitação em diferentes setores da economia, bem como um impacto considerável na indústria de pagamentos.

Eu sei que neste momento devem estar a pensar que nem tudo são rosas com este serviço e é verdade. Existe uma limitação da qual nenhum de nós nos livramos –continuamos a precisar de ter bateria no nosso telefone para garantir que temos os nossos cartões acessíveis bem como a possibilidade de realizar pagamentos à distância de um toque.

Agora sim, posso esquecer-me da carteira em casa sem problemas. Apenas tenho que garantir que o telefone não fica sem bateria. Se isso acontecer, não há tecnologia que nos salve. A não ser que daqui a alguns anos possamos simplesmente pagar autenticando a nossa identidade sem sequer ser necessário um telefone como veículo de pagamento. Mas isso é matéria para outro blog post!

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Power Platform World Tour: A nossa experiência

Na última semana de agosto, a Xpand IT rumou mais uma vez a Londres onde nos dias 28 e 29 teve lugar a primeira paragem europeia na Power Platform World Tour de 2019. Partimos de Lisboa com algumas expetativas que tínhamos a esperança que fossem cumpridas: fomos com vontade de conhecer ainda melhor esta plataforma que está a experienciar um crescimento muito interessante e ainda perceber um pouco melhor o que nos reserva o seu futuro.

Para aqueles que não estão totalmente familiarizados com a Power Platform, interessa esclarecer que esta é uma plataforma que agrega 3 produtos Microsoft que, juntos, dão vida a uma plataforma que promete dinamizar e promover a Transformação Digital das empresas. As PowerApps, o Flow e o PowerBI são as ferramentas que permitem a digitalização e automatização de processos internos e têm um potencial enorme para transformar a forma como as empresas gerem os seus processos e tomam as suas decisões. Com estas ferramentas, as empresas conseguirão tomar decisões informadas com agilidade e com processos baseados em tecnologia, com todas as vantagens que daí advêm.

O Evento

Mas voltando a Londres… foram dois dias recheados de conteúdo interessante, onde foi possível encontrar a crescente e entusiasta comunidade da Power Platform, explorar os desafios que diferentes indústrias estão a responder com as PowerApps e, não menos importante, receber uma dose de inspiração com as soluções apresentadas e a forma como várias empresas estão já a tirar partido destas tecnologias. Com o The Shard como pano de fundo, o evento foi um encontro da comunidade e uma partilha genuína de experiências… De facto, uma das mensagens mais poderosas da Microsoft é a simplicidade de utilização desta plataforma. Quando dizem que todos nós podemos construir uma app com as PowerApps e o Flow, é mesmo verdade. Com esta solução, tanto developers como utilizadores de negócio têm as ferramentas certas e estão capacitados para obter melhores resultados na sua empresa ao construírem apps. Esta não é uma ferramenta que, de um momento para o outro, possa ser utilizada para resolver todo e qualquer problema. Mas é, sem dúvida, possível endereçar alguns dos desafios que as empresas enfrentam hoje em dia através de um conjunto de tecnologias extremamente poderosas.

Um dos momentos altos do evento foi a possibilidade de ouvir em primeira mão o que a Microsoft tem a dizer sobre a evolução de todos estes produtos e aquilo que o futuro reserva, especialmente no que toca a melhorias e novas funcionalidades que estarão disponíveis para todos os utilizadores já a partir do próximo dia 1 de outubro. O AI Builder é um exemplo de uma das novas funcionalidades com que podemos contar com esta plataforma: com capacidades como classificação binária, deteção de objetos e processamento de formulários passa a ser mais fácil incluir os serviços cognitivos da Microsoft nas business applications, oferecendo-lhes uma camada de inteligência que até então não estava ao alcance das aplicações que eram criadas através das PowerApps. É todo um conjunto de novas funcionalidades – mais de 400 nos últimos 6 meses segundo foi partilhado – que permitirão o aparecimento de um número crescente de Citizen Developers.

Outro dos pontos mais relevantes do evento esteve relacionado com a forma como este tipo de iniciativas terá de ser gerido nas empresas em parceria com o departamento de IT. É certo que existem muitas vantagens em colocar o poder de criação de uma aplicação nas mãos de qualquer utilizador – aliás, hoje em dia estes mesmos utilizadores já usam o Excel e o Access para resolver muitas questões – mas tem de se garantir que o tema de Enterprise Management é devidamente endereçado. E, mais do que tudo, tem de se olhar para estas iniciativas de uma forma programática: a sua adopção terá de ser promovida continuamente para que não sejam consideradas apenas como um projectos one-shot.

Confirmámos também as nossas suspeitas acerca do crescimento sem precedentes da plataforma: crescimento de 700% de apps em produção só no último ano e mais de 2 milhões e meio de developers activos mensalmente na Power Platform. Estes são números surpreendentes que nos mostram que o mercado de low-code está a crescer: a Gartner e a Forrester nomearam as Microsoft PowerApps como líderes de mercado. É caso para dizer que o futuro parece ser risonho para as PowerApps e restante Power Platform.

Em conclusão

Em resumo, podem esperar mais novidades acerca das PowerApps muito em breve. O evento foi uma oportunidade excelente de vermos inovação em movimento no espaço interno das empresas e aprendermos com as múltiplas experiências da comunidade. Voltámos a Lisboa com a certeza que a proposta de valor das PowerApps para cenários de empowerment interno é muito interessante e que nesse sentido, podem complementar a nossa própria oferta de mobile development, tanto no que toca ao desenvolvimento multiplataforma (Xamarin) como no desenvolvimento puramente nativo.

Em termos estratégicos, a nossa visão para Customer Facing apps não passa por ferramentas de low-code. No entanto, vemos um potencial interessante quando nos focamos em cenários internos e de Employee Empowerment. Mais novidades em breve!

Filipa MorenoPower Platform World Tour: A nossa experiência
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