Saúde Digital: a medicina do futuro (e do presente)

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Uma das indústrias mais afetadas pela pandemia foi a da saúde. A pandemia global colocou imensa pressão nos serviços nacionais de saúde a nível global, enchendo hospitais com pessoas necessitadas de cuidados urgentes e imediatos, sem esquecer que a restante atividade e as restantes pessoas que já necessitavam de outros cuidados, relativos a outras doenças, não poderiam ser ignoradas e também estas necessitavam de cuidado continuado. Esta pandemia não colocou pressão apenas nos muitos profissionais que passaram a ter que trabalhar longas horas para fazer face à falta de recursos humanos, muitas vezes colocando a sua saúde em risco, mas também nas próprias infraestruturas que até então estavam disponíveis para fazer face às necessidades dos diferentes países.

Os profissionais de saúde são um elemento fundamental na sociedade para garantir um apoio continuado à saúde e bem-estar de todos os cidadãos. Conseguimos reconhecer o papel fundamental que estes têm: resultado foram as inúmeras homenagens prestadas ao longo do primeiro confinamento. Estes trabalham num ambiente altamente complexo e em condições de elevado risco pessoal e, muitas vezes, não têm todos os recursos necessários para desenvolver o seu trabalho com eficiência total. Os médicos, enfermeiros e todas as restantes equipas que trabalham na área da saúde necessitam de ferramentas robustas e flexíveis que lhes permitam prestar os melhores cuidados disponíveis aos seus pacientes.

A pandemia foi responsável por acelerar a digitalização em grande escala de diferentes processos em múltiplas indústrias. A indústria da saúde não foi diferente – de facto, uma das oportunidades que a pandemia global nos ofereceu foi colocarmos em prática a rápida digitalização desta indústria, encontrando novas formas de prestar aos pacientes os melhores cuidados de saúde, mesmo à distância. Um exemplo prático foi o crescimento acelerado das teleconsultas durante e após os períodos mais conturbados da pandemia: de acordo com a Statista, em 2019, o mercado da telemedicina estava avaliado em cerca de 49,9 mil milhões de dólares. Até 2030, projeta-se que o mercado chegue até aos 460 mil milhões de dólares.

Saúde digital – um novo paradigma nos cuidados de saúde

Ainda que tenhamos muito a lamentar com esta pandemia, uma das aprendizagens que podemos retirar deste evento é que a tecnologia e a consequente digitalização de diferentes processos trazem inúmeros benefícios às diferentes instituições cuja prioridade é cuidar da saúde e bem-estar dos utentes. Existem diferentes tecnologias que já estão atualmente a ser utilizadas em prol de uma melhoria consistente dos cuidados de saúde: falamos de tecnologias como a Inteligência Artificial (IA), a Cloud, Big Data e tecnologias de automação, por exemplo.

O grande propósito da digitalização, em qualquer setor ou indústria, é o de melhorar e até aumentar a produtividade e a eficiência operacional dos diferentes departamentos de uma organização, tirando partido da simplificação e automação de diferentes processos, processos estes que até então estavam dependentes de humanos para serem realizados ou, estando baseados em ferramentas não digitais, eram inconvenientes e pouco ágeis.

A automação de processos tem inúmeros benefícios para uma área como a saúde: esta pode oferecer diferentes mecanismos de melhorar o atendimento que é prestado ao utente, de uma forma mais facilmente escalável. O propósito de automatizar diferentes processos, no entanto, deverá estar sempre centrado no utente: quando pensamos na digitalização da saúde, pensamos na forma como o paciente irá ser beneficiado ao utilizar esses serviços. O objetivo deve passar por conseguirmos oferecer uma maior autonomia ao paciente, oferecendo-lhe, por exemplo, a possibilidade de agendar uma consulta ou um exame através de um canal digital ou até um portal dedicado onde o utente consiga consultar todo o seu histórico de interações com uma dada instituição de saúde. Existem diferentes momentos da jornada de um cliente que poderão ser digitalizados e automatizados, por forma a que não estejam totalmente dependentes de recursos humanos – o check-in e o check-out de um paciente numa clínica, por exemplo, são momentos que poderão ser otimizados com recurso à tecnologia.

Por outro lado, utilizando a automação para gerar eficiências internas, conseguiremos igualmente melhorar a experiência do utente: com o auxílio da digitalização, passa a ser possível determinarmos novas formas de gerir informação sobre o doente, acelerar o diagnóstico e torná-lo mais preciso, agilizar a comunicação entre as equipas multidisciplinares por forma a que todas tenham uma visão holística do doente, e a partilha eletrónica de relatórios e exames médicos, entre outros processos.

O futuro da saúde passa também pelo digital e o panorama da indústria está a mudar com as constantes inovações que a tecnologia permite. Sabemos que a tecnologia já é pervasiva em diferentes indústrias e, enquanto consumidores, o nosso nível de aceitação de ferramentas digitais é cada vez maior. Assim, à medida que o digital se “confunde” com o presencial, iremos considerar cada vez mais natural encontrar um modelo híbrido, onde o “ir ao médico” já não significa necessariamente dirigirmo-nos a um hospital, estar horas numa fila de espera, para encontrar um médico do outro lado da secretária pronto para ouvir as nossas dores. No futuro (cada vez mais próximo), encontraremos cuidados de saúde integrados, mais próximos, com mais e melhor informação sobre o nosso historial clínico e, acima de tudo, mais personalizados.

Fale connosco para descobrir sobre como poderá utilizar as diferentes tecnologias que mencionámos para dar um passo em frente em direção a esse futuro.


Filipa MorenoSaúde Digital: a medicina do futuro (e do presente)

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